terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Liberdade para Zhao Dong-min!

Zhao Dang-min é um advogado e membro do Partido Comunista Chinês. Trabalhava dando assistência jurídica a trabalhadores voluntariamente, ajudando em problemas como perda de benefícios e de pensões. Foi coordenador temporário do Grupo de Estudos do Pensamento Mao Tsetung, em Xian, até sua prisão. Foi preso pelas autoridade chinesas sob a alegação de "perturbar a ordem pública", mas na verdade este espisódio apenas faz parte do aumento da repressão do Estado chinês contra os militantes maoístas. Segue um pequeno artigo sobre o caso, retirado de A Nova Democracia.

http://www.anovademocracia.com.br/no-72/3178-organizacoes-democraticas-do-brasil-exigem-a-libertacao-de-zhao-dong-min

Apoiar Zhao Dong-min, o sindicalista e militante maoísta preso

Shi Chuan

Na quarta-feira, 20 de outubro, o advogado que representa Zhao Dong-min recebeu do Tribunal o veredicto final que proferiu: uma sentença de 3 anos para Zhao, em razão do seu "crime" de "perturbar a ordem social". Zhao já foi transferido da delegacia para a prisão.

Zhao Dong-min foi inicialmente preso devido à sua criação "Congresso das Massas para os sindicatos de empresas públicas e privadas na província de Shaanxi" e sua participação direta nos recursos judiciais coletivos dos trabalhadores das empresas estatais. Foi novamente detido ilegalmente pela polícia quando seu caso chamou a atenção dos maoístas e de outros militantes de esquerda. O governo local agiu como se estivesse enfrentando uma grande força inimiga e prendeu várias pessoas que tinham ido ao tribunal para protestar contra a prisão de Zhao.

Após a conclusão da primeira fase do julgamento, vários fóruns de esquerda, dentro da China, continuaram a manifestar o seu apoio e protesto, além dos diversos grupos de apoio a Zhao, que também foram criados em todo o país. Existem petições para a libertação de Zhao, já com mais de 10 mil assinaturas, incluindo maoístas aposentados do Partido Comunista da China (PCCh), trabalhadores desempregados, camponeses que perderam suas terras, militantes de esquerda de Taiwan e de outras partes do mundo.

Em cidades como Luoyang e Zhengzhou, militantes maoístas organizaram vários comícios para apoiar Zhao Dong-min. Em 18 de outubro, a família de Zhao foi a Pequim para se reunir com alguns antigos quadros maoístas aposentados do PCCh, e contratou Li Jinsong, diretor legal da agência Yitong, em Pequim, substituindo Zhao como advogado de defesa baseado em Shaanxi. Li Jinsong é um advogado famoso por defender os direitos dos trabalhadores na China

Talvez, devido a seu medo de uma outra manifestação das massas, o governo local chegou a um veredicto final em segredo dias antes da data inicialmente planejada do segundo estágio da audiência - 25 de outubro -, assim, esse outro "incidente em massa" pôde ser evitado.

Nos últimos anos, diante das enormes disparidades entre os ricos e os pobres, da corrupção desenfreada, bem como da desordem social provocadas pelas "reformas de abertura" capitalista, as massas da China, há muito tempo, já estão prenhes de sentimentos de raiva e indignação. Mas, o regime burocrático do PCCh continua reprimindo brutalmente qualquer tipo de poder social, ou de massa, que possa potencialmente desafiá-lo. Devido a grave desigualdade da renda e da desordem social, entre certas camadas das massas na China, especialmente entre os trabalhadores das empresas ex-estatais, existe um crescente ceticismo contra o regime vigente e um sentimento de saudade dos velhos tempos maoístas. Esse fenômeno é particularmente evidente na "segunda camada" das cidades industrializadas da China, como Zhengzhou, Taiyuan, Luoyang e Xi'an. Os maoístas, nesses locais, sempre realizam comícios e outras atividades, em especial nas datas de aniversário de Mao Tsetung, da República Popular da China e do PCCh, a fim de protestar contra as reformas de abertura capitalistas. Como resultado disto, as forças policiais do governo chinês também mantém uma vigilância muito atenta sobre os maoístas e suas atividades políticas, especialmente aquelas que são relativamente organizadas.

Desde a prisão de Zhao Dong-min e de membros do Partido Comunista Maoísta da China (PCMC) no ano passado, houve, este ano, novos confrontos entre as massas Maoístas e policiais em lugares como Zhengzhou e Luoyang.

Nos opomos firmemente às ações do regime atual do PCCh e sua violação dos direitos básicos democráticos da classe trabalhadora chinesa e das massas em geral, bem como da supressão dos movimentos dos trabalhadores em toda a China. Apoiamos também as atividades de Zhao Dong-min e outros ativistas que promovam os direitos dos trabalhadores das comunidades de base e das organizações.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Com Cuba, pela liberdade pelo socialismo! (2)

Frente ao bombardeio da mídia ocidental, senti a necessidade de veicular informações menos tendenciosas acerca das reformas econômicas cubanas. Para os veículos de notícias privados, as reformas representam uma guinada da Revolução Cubana em direção ao capitalismo, mas não é bem isso que os cubanos pretendem. O desejado é reformar a economia sem que ela se torne capitalista, sem que se abra ao grande capital. Para isso, o governo convocou a população para discussão do modelo econômico a ser adotado.

Repasso aqui, as informações do blog Solidários.

Cuba: a hora da mudança

por Atilio A. Boron
Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários


Em Cuba se está efetivando um grande debate sobre o futuro econômico da ilha. Entre os cubanos se fez presente a convicção de que o atual sistema econômico, inspirado no modelo soviético de planejamento ultra-centralizado, encontra-se exaurido. Como advertiram Fidel e Raúl, sua permanência compromete a sobrevivência da Revolução. Se se quer salvá-la será necessário abandonar um sistema de gestão macroeconômica que, de forma clara, já passou a melhor vida.

A experiência histórica tem mostrado que a irracionalidade e desperdício dos mercados podem ocorrer em uma economia totalmente controlada pelos planejadores estatais, que não estão a salvo de cometer erros grosseiros, que produzem irracionalidades e desperdícios que afetam o bem-estar da população. Exemplos: em um país com um déficit habitacional tão grave como Cuba, a agência estadual encarregada das construções tem registrado 08 mil pedreiros e 12 mil pessoas dedicadas à segurança e guarda dos depósitos das empresas de construção do Estado. Ou que os relatórios oficiais revelem que 50% da área agrícola da ilha não está sendo cultivada, em um país que deve importar entre 70 e 80% dos alimentos que consome. Ou que quase um terço da safra é perdida devido a problemas de coordenação entre os produtores (sejam eles agências governamentais, cooperativas agrícolas ou outras empresas), as empresas de armazenagem e seleção e os serviços de transporte do Estado, que devem levar as colheitas até os grandes centros de consumo. Ou que as atividades, como salões de cabeleireiro e beleza, são empresas estatais - em que página do Capital, Marx, que recomenda? - nas quais os trabalhadores recebam todos os equipamentos e materiais para fazer o seu trabalho e cobram um salário, embora cobrem de seus clientes dez vezes a mais do preço estabelecido oficialmente, fixado a décadas atrás, e sem pagar um centavo de impostos.

Estes são alguns exemplos que conversando com os amigos cubanos se multiplicam ad infinitum. Mas, levantam uma questão de importância prática e também teórica: o projeto socialista é realizado ao conseguir-se a total estatização da economia? A resposta é um estridente não. Se na União Soviética (que tinha apenas como um precursor a heróica Comuna de Paris), nas condições específicas de seu tempo, não houve alternativa senão promover a estatização completa da economia, nada indica que nas condições atuais se deva agir da mesma forma.

Tal como com perspicácia anotara Rosa Luxemburgo a respeito exatamente do caso soviético, não há razão para fazer dessa necessidade, uma virtude. E se a estatização total e o planejamento ultra centralizado pode ter sido necessário - e até mesmo virtuoso -, em seu momento, para tornar possível que, em um período de quarenta anos, a velha Rússia, o país mais atrasado da Europa, pudesse ser capaz de derrotar o exército nazista e assumir a liderança na corrida espacial, hoje não o é.

Expresso em termos do marxismo clássico, o desenvolvimento das forças produtivas decretou a obsolescência das formas e da intervenção estatal, que eficazes no passado, não têm qualquer possibilidade de controlar a dinâmica dos processos de produção contemporânea, decisivamente moldados pela terceira revolução industrial.

Cuba entra em um processo de mudança e atualização do socialismo. Os primeiros esboços do projeto, um documento de vinte páginas publicado como suplemento especial do Granma e do Juventud Rebelde, foi distribuído para a população maciçamente. A tiragem 500 mil exemplares foram imediatamente adquiridos pela população, convidada várias vezes a ler, discutir e enviar suas propostas. Nova enorme tiragem está a caminho, porque o desejo de participação é enorme.

O documento será analisado criticamente por todas as organizações sociais, sem distinção: do Partido Comunista até os sindicatos e associações de todos os tipos que existem na ilha. Por isso, estão equivocados os que se iludem que a introdução de reformas inicie um indecoroso - e suícida - retorno ao capitalismo. Nada disso: o que tentaram fazer é nada mais e nada menos do que realizar reformas socialistas que o fortalecimento do controle social, ou seja, o controle popular dos processos de produção e distribuição de riqueza.

O socialismo, bem entendido, é a socialização da economia e do poder, não sua estatização. Mas, para socializar é necessário primeiro produzir, pois, caso contrário, não há nada para se dividir.
Portanto, trata-se de reformas que aprofundam o socialismo, e que nao têm nada haver com as que foram implantadas na América Latina desde os anos oitenta.

Seria óbvio dizer que o caminho a percorrer pela Revolução Cubana não será fácil e está cheia de perigos. Às dificuldades inerentes a qualquer transição são adicionados as derivadas do infame bloqueio dos EUA (e mantido pelo Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama), o bombardeio constante da mídia e as pressões sobre a ilha, procurarão por todos os meios fazer com as reformas socialistas degenerem em uma reforma econômica capitalista.

O cerne da questão está na bússola política, a orientação que terão estes processos de mudança. E o povo e o governo de Cuba dispõem de uma bússola muito boa, provada por mais de meio século, e eles sabem muito bem o que devem fazer para salvar o socialismo da ameaça mortal que representa o esgotamento de seu modelo econômico atual. E também sabem que se algo liquidar as conquistas históricas da revolução, seria varredura de um acidente vascular cerebral, que re-mercantilizaria os seus direitos e os converteriam em mercadorias. Ou seja, a reintrodução do capitalismo. E ninguém quer que isso aconteça.

Fonte: http://convencao2009.blogspot.com/2010/12/cuba-hora-da-mudanca.html

Mais alguns artigos para os interessados:

Cuba e os novos rumos da Revolução Socialista: http://convencao2009.blogspot.com/2010/12/cuba-e-os-novos-rumos-da-revolucao.html

1º de dezembro de 2010: começa o debate popular em Cuba: http://convencao2009.blogspot.com/2010/12/1-de-dezembro-de-2010-comeca-o-debate.html

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Com Cuba, pela liberdade e pelo socialismo!

Não muito longe de nós aqui no Brasil, há uma pequena ilha que desafia as maiores potências do mundo. Um pequena ilha latinoamericana que não sabe o que é miséria, o que é fome. Que não sabe o que é a opressão do capital, das grandes multinacionais. Que não sabe o que é conviver diariamente com uma mídia conservadora e extremamente agressiva em relação aos direitos econômicos, sociais e culturais do povo. Uma ilha latinoamericana que - pasmem - possui um sistema de saúde moderno, eficiente e gratuito; que possui um dos melhores sistemas educacionais do mundo, que eliminou por completo o analfabetismo; que possui um alto nível de segurança pública, sem a conhecida violência que assola todos os países latinoamericanos; que possui uma série de notáveis vitórias no campo social e no cultural também.

Como uma ilha tão pequena e sem recursos como Cuba pôde conseguir isso? Como? Se a oitava economia do mundo, a grande potência da América Latina - o Brasil - não conseguiu chegar nem perto disso? Cuba ainda sofre uma série de restrições econômicas e comerciais devido ao bloqueio estadunidense, coisa que não ocorre com a pujante economia brasileira. A resposta é simples: seu sistema econômico-social. Em outras palavras, o socialismo.

Ao contrário do Brasil, Cuba não tem militares truculentos como Duque de Caxias ou ditadores como Getúlio Vargas no hall de heróis da pátria. Tem libertadores como José Martí e Ernesto 'Che' Guevara. Ao contrário do Brasil, Cuba não vive sob o domínio do grande capital multinacional e de poderosas e autoritárias elites como os latifundiários. E, principalmente, ao contrário do Brasil, não é a elite econômica que governa Cuba, e sim, seu povo devidamente representado nas Assembléias Populares. E este é um dos temas mais importantes abordados pelo documentário que postarei no fim deste post.


O documentário "Fatos, não palavras", analisa a questão dos direitos humanos em Cuba (direitos políticos, civis, econômicos, sociais e culturais), apresentando uma contraposição ao que a mídia ocidental espalha aos quatro cantos do mundo. Ou seja, vai contra aquela ideia preconceituosa de que Cuba é uma ditadura "totalitária". Cuba, na verdade, é uma das mais progressivas nações do mundo, que adota um sistema misto de democracia direta e democracia representativa. Sistema feito exatamente para expulsar os grandes interesses econômicos da esfera do Estado, concentrando a governança nas mãos da sociedade civil, ou seja, dos operários, dos camponeses, dos trabalhadores em geral.

O primeiro passo das eleições cubanas ocorre nos bairros de cada cidade, cada vila, cada local habitado do país. Lá há reuniões de moradores periódicas, nas quais são apresentados os candidatos à vereador. Um candidato deve, obrigatoriamente, ser aprovado pelas pessoas de seu bairro para que então possa concorrer a vereador, deputado provincial, deputado nacional e até presidente. E não há campanha propagandística nas eleições, não há financiamento. Pois o povo acompanha seus representantes, aliás, os representantes são obrigados a prestar contas periodicamente acerca de seu mandato. Tem que mostrar aos seus eleitores o que tem feito de concreto e, caso eles não gostem, seu mandato pode ser revogado pelos próprios eleitores. Portanto a participação popular nas eleições é grande, não é necessário campanhas propagandísticas massivas para fazer o povo votar, o povo é consciente, educado e bastante politizado. A média é de 95% de comparecimento dos eleitores às urnas. E o voto não é obrigatório.

Não vou me alongar nestes aspectos, o documentário aborda eles com muito mais detalhes. Mas o fato é que a democracia socialista cubana é extremamente superior a de qualquer nação desenvolvida. Aliás, muitas nações desenvolvidas sequer são verdadeiramente democráticas, no sentido de dar poderes ao povo. Na verdade, no capitalismo os poderes são bastante concentrados nas mãos dos detentores do capital, das elites econômicas, dos burgueses. Isto se reflete nos monopólios dos meios de comunicação, na história oficial das nações ensinada nas escolas, na enorme concentração de renda nas mãos de poucos, na exploração das classes trabalhadores por causa de uma infinita busca pelo lucro, entre outras coisas. A população não tem voz. Quer exemplo mais prático do que o francês este ano? O governo aprovou leis que diminuiam direitos sociais do povo, mesmo com a oposição massiva da população. Este simples exemplo mostra que o povo não tem poder, que a última palavra é da elite.


A democracia burguesa é uma farsa. Um teatro. Por detrás daquilo tudo há o capital, há os interesses privados e individualistas. Se por um lado foi uma evolução frente ao absolutismo, por outro, é uma abominação no século XXI. É um modelo elitista ultrapassado, incapaz de acabar com os privilégios, com a exploração do homem pelo homem, com os preconceitos de classe, raciais, de gênero, etc. Incapaz de produzir igualdade, fraternidade e liberdade para todos.

Por isso estou com Cuba. Estou com Cuba pela liberdade e pelo socialismo! Por um modelo mais próximo da democracia direta, do poder realmente popular. Por um modelo que não se baseie na supremacia do individualismo, do conformismo e do consumismo. Por um modelo sustentável e que realmente respeite os direitos humanos. Por um modelo que se contraponha ao grande capital e que preze pela livre determinação dos povos.

Peço a todos que assistam as dez partes do documentário argentino "Fatos, não palavras", para que compreendam, livre de preconceitos, o sistema cubano - em todas as conquistas e em todos os seus problemas.

Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=JdQU0mXrUXo&feature=related
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=fReNR2GbscQ&feature=related
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=jsN2k7cXiUk&feature=related
Parte 4: http://www.youtube.com/watch?v=lykk3a2_a6w&feature=related
Parte 5: http://www.youtube.com/watch?v=mcMtE_haWxU&feature=related
Parte 6: http://www.youtube.com/watch?v=0NL0WASaq90&feature=related
Parte 7: http://www.youtube.com/watch?v=_1sxzprsCOQ&feature=related
Parte 8: http://www.youtube.com/watch?v=JoPSnD2y9PQ&feature=related
Parte 9: http://www.youtube.com/watch?v=QrAzce36FGY&feature=related
Parte 10: http://www.youtube.com/watch?v=F2l_T4Nh6Dc&feature=related

Hasta la vitória, siempre!

domingo, 28 de novembro de 2010

Medvedev anuncia "desestalinização" da Rússia


Após duas grandes campanhas de desestalinização, sob Kruschev e Gorbachev, a Rússia viverá sua terceira onda anti-stalinista. O Presidente Medevedev a anunciou nesta sexta, dia 26, junto com a sua viagem oficial a Polônia.


O fantasma do Comunismo: Stálin

Historicamente, após sua morte, Stálin se transformou como o ícone de tudo que dá errado na Rússia. Se a produção de grãos caiu, é culpa de Stálin. Se a economia está estagnada, a culpa é de Stálin. Se os chechenos estão se revoltando, é culpa de Stálin. Se tornou um modo corriqueiro do governo russo se esquivar de suas responsabilidades na violenta crise que acertou a nação com a queda do socialismo. Não importa se ele e o sistema a qual lutou sua vida inteira já foram enterrados há um bom tempo. Há sempre persistências. Afinal, o marxismo é uma "doença" infecciosa monstruosa que acaba com toda o "bem" que o capitalismo foi capaz de produzir para humanidade. Se o capitalismo dá errado, certamente é por causa do passado marxista da Rússia. "Ah, a época de transição foi mal conduzida. Infelizmente o stalinismo ainda não foi erradicado". Procurem ir atrás de qualquer problema na Rússia nas últimas décadas, esta é sempre a desculpa oficial.

Comemoração do Dia da Vitória sobre o Fascismo conta com a presença de Stálin em São Petersburgo

Ora, é muito mais fácil jogar a culpa nos outros do que admitir o fracasso de todo o sistema que supostamente salvaria os russos da "ditadura monstruosa". Ditadura esta, que terrivelmente garantia à população um sistema de saúde eficiente e de graça, infra-estrutura pública de primeira qualidade, educação de alto nível para todos, emprego, direitos trabalhistas avançadíssimos, um baixíssimo custo de vida, segurança e baixíssima taxa de criminalidade, etc. Enquanto isso, o sistema "salvador" trouxe a miséria de volta à Mãe Rússia, a fome, o sucateamento da educação e da saúde, a queda brusca de padrão de vida para a maioria da população, o crime organizado, a corrupção sistêmica e um Estado inoperante e muito pouco preocupado com sua população.

Manifestação comunista na Rússia. Camarada Stálin presente!

Realmente, a culpa é de Stálin, Sr. Medvedev. Este monstro horrendo que ousou derrotar e humilhar os fascistas! Olha que crime! Que ousou esfacelar as velhas elites e modernizar a Rússia. Que ousou dar poder a ralé, fortalecendo os sindicatos e a organização da classe trabalhadora. Que ousou unir dezenas de povos sob a única bandeira da solidariedade comunista e permitir que Cazaques estudassem de graça na gloriosa Rússia, que Tadjiques se "apoderassem" dos conhecimentos técnicos das indústrias russas e que Russos gastassem sua grande "superioridade" intelectual na construção de fábricas, colégios e hospitais nestas repúblicas islâmicas e asiáticas "inúteis". Realmente Sr. Medvedev, a culpa é de Stálin.

Cartaz de Stálin decora as ruas na Rússia

Mas o que esta nova onda de desestalinização realmente mostra é a força e o apelo popular que Stálin goza na velha Rússia. É o fantasma do comunismo. Este ano pudemos observar a crescente nostalgia acerca dos velhos tempos soviéticos na Rússia, o crescimento dos movimentos comunistas. As manifestações populares em marcos históricos comunistas foram enormes. Centenas de milhares de russos foram às ruas no aniversário da Revolução, no Primeiro de Maio, no aniversário de 130 anos de Stálin, no dia da Vitória. E Stálin, agora sim, era onipresente. Cartazes, fotos, tatuagens. O povo marchava e ainda marcha por Moscou carregando orgulhosamente a imagem do grande líder bolchevique, mesmo após meio século de difamação e de bombardeamento ideológico anti-Stálin. E não são meia dúzia de pessoas, são centenas de milhares, são multidões.

Milhares de russos marcham na Praça Vermelha no aniversário de Stálin

Qual será a explicação disso? Ainda há a "lavagem cerebral" do Grande Irmão soviético? Ou será que o Memorial ainda não despejou o tanto de propaganda direitista e reacionária necessárias para "iluminar" o ignorante povo russo? A verdade é que, doa a quem doer - anti-comunistas, liberais, membros de organizações de "direitos humanos", etc. - o povo russo vivia muito melhor sob Stálin do que sob qualquer outro regime implantado por aquelas bandas. 95% da população era privilegiada pelo governo, que investia pesado em cultura, educação, saúde, transporte, segurança, agricultura, indústria, etc. 95% da população representada pelas classes operária e camponesa. Mas enquanto isso, 5% da população amargava a perda de seus privilégios monárquicos e capitalistas. Coitado deles, não podiam mais explorar a força de trabalho alheia para enriquecerem. Não podiam mais deixar seus servos e operários passarem fome para que tivessem dinheiro para construir seus magníficos palácios. E pior, ainda tinham que trabalhar na terra! Pegar na enxada e trabalhar ombro a ombro com seres primitivos e bárbaros! Olha que ultraje!


Stálin vive!

Estes pobre coitados voltaram ao poder. E agora tremem as bases quando vêem o povo caminhando pelas ruas com imagens de Stálin. Eles sabem muito bem o poder do comunismo, o poder do povo. Sabem que são minoria, e que, se o povo quiser, suas cabeças rolarão. Frente à volta deste terrível fantasma à Mãe Rússia, a única saída é a boa e velha desestalinização. Aumentar o controle ideológico sobre a população, suprimir a força dos comunistas e transformar as manifestações populares em crime.


Milhares de russos homenageiam os 130 anos de Stálin


sábado, 27 de novembro de 2010

Novidades acerca das falsificações nos arquivos russos!

O parlamentar Viktor Ilyukhin continua a pressionar as lideranças políticas da Rússia para a questão da falsificação dos documentos nos arquivos russos. Agora seus esforços são direcionados à Katyn, já que Medvedev e a Duma estão prestes a reconhecer o massacre de Katyn como um genocídio perpetrado pelos soviéticos. De acordo com Ilyukhin, a documentação utilizada para "provar" os supostos crimes soviéticos é falsificada.

Postarei aqui duas cartas escritas por Ilyukhin ao Presidente da Duma, Boris Gryzlov, e ao Presidente da Federação Russa, Dmitry Medvedev. As cartas estão em inglês. Além disso, postarei o link para o discurso de Ilyukhin na Duma no dia 26 de novembro, o qual ele diz que dentro de dez dias dirá concretamente quem foi a fonte das falsificações. O discurso e a página estão em russo, uma dica é traduzir a página para o inglês, dá para entender mais ou menos o que é dito.

O que é importante de destacar acerca destes documentos, é que Ilyukhin distribuiu o material acerca das falsificações para os parlamentares russos da Duma e que ele pede ao Presidente Medevedev que ele cobre um posicionamento dos poloneses acerca do massacre de 80.000 prisioneiros de guerra soviéticos em 1920 pelas autoridades polonesas. Ilyukhin pede até que seja feito um monumento às vítimas do terror polonês, assim como há o monumento às vítimas de Katyn. Além disso, Ilyukhin acusa publicamente grandes figuras da Rússia como o historiador militar D. Volkogonov e o chefe do Arquivo Estatal Russo, R. Pikhoya, dizendo que eles têm relação com a distorção dos fatos históricos relacionados a Katyn.

Agora é esperar os dez dias e ver quem são as fontes de todo o esquema de falsificação de arquivos, Ilyukhin diz que são pessoas com cargos importantes no Estado Russo. A situação tende a esquentar, e uma grande bomba pode cair nas mãos do Presidente Medvedev e das autoridades russas em geral. E agora? Será que os meios de comunicação ocidentais darão atenção a este caso? Ou simplesmente continuarão em silêncio absoluto sobre o assunto?

To the President of the Russian Federation
D.A. Medvedev

Dear Dmitry Anatolyevich!

In early December this year you will pay an official visit to Poland.

There is no doubt, that during the discussions about the interstate relations the Polish side will once again raise the so-called “Katyn issue”, once again re-activated by western politicians in order to discredit the Russian people and to diminish the role of the Soviet Union’s victory in World War II. In addition, referring to the “Katyn case” has quite a specific task – to create a fertile ground for compensation claims against our country for the shooting of the Polish “elite of the nation.”

Despite the existence of irrefutable facts that disprove the conventional version of the shooting of 22 thousand Polish POWs by members of the NKVD of the USSR, attempts are being made in order to achieve recognition of this crime as genocide, with consequent presentation of claims to Russia about damage compensation to Poland in an amount currently exceeding more than 100 billion euros. There are already more than 70 lawsuits from the relatives of the murdered Poles present in the international court in Strasbourg, and there is no doubt that their numbers will grow.

Given the above, we express our hope, that during the upcoming visit to Poland our delegation will stand firm and will defend itself from being pulled into a discussion of this issue, which once again will be wittingly used in anti-Russian purposes.

As a counterbalance, we consider it possible to raise before the Polish side the question of clarifying the fate of 130,000 Red Army soldiers, who fell into Polish captivity in 1920. According to existing information, more than 80,000 people died from brutal treatment, hunger, mass diseases and executions, something that Poland, as we know, does not want to admit. Russia has the right to request permission to raise on their territory a monument to the victims of Polish terror, similar to the monument, that was raised to the Poles in Katyn.

Sincerely,

On behalf of a group of Russian scientists – members of the Public Commission about Katyn
Vice-chairman of the Committee of the State Duma
for Constitutional Legislation
and State Construction,
Honoured Lawyer of the Russian Federation, Professor
V. I. Ilyukhin.


**********
To the Chairman of the State Duma

of the Russian Federation
B.V. Gryzlov

Dear Boris Vyacheslavovich!
In connection with the discussion at the plenary meeting in the State Duma, on November 26, 2010, of the draft resolution “About the declaration of the State Duma of the Federal Assembly of the Russian Federation “In Memory of the Victims of the Katyn Tragedy”, please issue an instruction to reproduce and to distribute among the deputies the draft notes, which formed the basis for the forgery of L. Beria’s letter to J. Stalin about the alleged reviewing of cases of Polish prisoners and applying to them the highest measure of punishment – the shooting. This letter and the forged extract from the decision of the Politburo of the AUCP(b) from March 5, 1940 are being used today by the enemies of Russia, who sacrilegiously present these as the main proof of Stalin’s and the Soviet leadership’s guilt in shooting the Poles near Katyn in the Smolensk region.
The falsification was carried out in the late 80′s – early 90′s of last century and it has been established by expert studies and other evidence.
It can be argued, that distortions of the events related to the Katyn tragedy were originally initiated by the well-known people in our country – A. Yakovlev, D. Volkogonov, V. Falin, R. Pikhoya and others.
Explanations will be given during the discussion of the draft resolution.
Attachment: on 4 pages.
Deputy of the State Duma V.I. Ilyukhin

*********

Link para o discurso de Viktor Ilyukhin na Duma: http://kprf.ru/dep/85043.html

Fontes das cartas: http://mythcracker.wordpress.com/

domingo, 7 de novembro de 2010

Guia do Anti-comunismo

Hoje, dia 7 de Novembro de 2010, completa-se 93 anos da Grande Revolução Proletária de Outubro (no velho calendário russo, o dia era 25 de Outubro), um imenso marco na história do século XX e de toda a humanidade. Durante todos esses anos ela conquistou grandes admiradores e grandes inimigos. Inspirou a luta por um mundo novo em milhões de corações, mas também inspirou o ódio conservador em tantos outros milhões. Ela forjou as bases da luta política no século XX e a influencia até hoje.

O pequeno artigo que postarei agora é uma visão humorística dos argumentos e atitudes dos opositores da Revolução. Traduzi diretamente do inglês, nesta postagem do blog "The Red Republic": http://redrebelde.blogspot.com/2008/09/j-slavyanskis-guide-to-anti-communism.html

40 Dicas úteis para se tornar um Anti-Comunista de sucesso

Por J. Slavyanski


1.      Insistir constantemente que o marxismo está desacreditado, ultrapassado e totalmente morto e enterrado. Então prossiga na construção de uma lucrativa carreira para superar esta teoria supostamente ‘morta’ durante o resto de sua vida de trabalho.
2.      Lembre-se, qualquer morte não-natural que ocorra sob um regime ‘Comunista’ não é apenas atribuível aos líderes de Estado, mas também ao Marxismo como ideologia. Ignore as mortes ocorridas pela mesma razão em Estados não-Comunistas.
3.      Comunismo e Marxismo são o que você quiser que seja. Sinta-se à vontade para rotular países, movimentos e regimes de ‘Comunistas’ independentemente de seus objetivos reais, ideologia adotada, relações diplomáticas, políticas econômicas ou relações de propriedade.
4.      Se houve um conflito envolvendo Comunistas, o conflito e todas as subsequentes mortes podem ser colocados sob as costas dos Comunistas. Tenha cuidado ao aplicar isto à Segunda Guerra Mundial. Movimentos Fascistas que lutaram contra os soviéticos ou partisans Comunistas são bons, mas tente não louvar abertamente a Alemanha Nazista. Deixe isto para conversas particulares se você precisar mesmo fazê-lo.
5.      Você decide o que o Marxismo “realmente significa” e quem foram os verdadeiros representantes do Comunismo. Simule interesse por Trotski ter tido, de alguma maneira, o poder roubado por Stálin, mesmo que você o odeie também.
6.      Fale constantemente de George Orwell. Cite Revolução dos Bichos e 1984. Não se preocupe com o fato dele nunca ter pisado na União Soviética e os dois livros serem romances.
7.      Cite números de mortes massivos sem levar em conta a demografia ou a consistência. 3 milhões de mortos pela fome? 7 milhões? 10 milhões? 100 milhões de mortos no total? Você não precisa se preocupar com alguém conferindo seu trabalho, o que é bom, já que você provavelmente não checou nada também.
8.      Tudo mundo que foi preso sob um regime Comunista provavelmente era inocente de qualquer crime. Comunistas só prenderam poetas inofensivos e profetas políticos que tinham uma bela mensagem para compartilhar com o mundo.
9.      Tudo que Stálin fez ou deixou de fazer tinha uma motivação sinistra oculta. TUDO.
10.  Mantendo o espírito do #9, lembre que Stálin era um ser onipotente, talvez a encarnação do deus hindu Vishnu, que tinha plena consciência de tudo que ocorria na União Soviética e um controle total sobre todos os acontecimentos realizados entre 1924 e 1953. Tudo que ocorreu nesta época era a vontade de Stálin. Stálin sabia os detalhes exatos de todos os casos criminais de seu tempo e devido à sua crueldade sem limites, mandou fuzilar milhares de pessoas inocentes por razão nenhuma, independentemente de onde elas estavam ou de suas posições em vida. Sendo onipotente, ele não era dependente de informações passadas para ele por dezenas de milhares de subordinados.
11.  Ataque constantemente os regimes ‘Comunistas’ por ações que ocorrem nos regimes capitalistas até hoje.
12.  Alegue que o Marxismo é utópico por causa de sua descrição de uma possível sociedade futura. Alegue alternadamente que o Marxismo falhou porque nunca deu uma descrição detalhada de como seria uma sociedade Comunista. Não preste atenção na gigantesca contradição aqui.
13.  Comece a referir ao Marxismo como algum tipo de fé religiosa, messiânica, ou qualquer outra porcaria espiritualista que você puder pensar. Quando pessoas apontarem que você pode traçar similaridades entre basicamente qualquer ideologia política e religiões, ignore-as.
14.   Lembre-se do duplo ataque Anti-Comunista: ataque o sistema pós-Stálin em termos de economia, alegando que simplesmente não funcionou. Já que um oponente informado certamente apontará que as políticas econômicas socialistas realmente funcionaram nos tempos de Stálin, e de fato funcionaram muito bem, ataque aquela época com base nos direitos humanos.
15.  Duas palavras – natureza humana. O que é a natureza humana? Para os seus propósitos, natureza humana é uma explicação rápida do porque que as ideias políticas e sistemas de que você não gosta estão errados.
16.  Revoluções bolcheviques foram realizadas com violência e derramamento de sangue. Revoluções burguesas foram todas realizadas através de referendos democráticos, e não houve qualquer tipo de violência.
17.  Use palavras como ‘liberdade’ e ‘democracia’ constantemente. Não aceite qualquer contestação na definição destes termos.
18.  Comunistas podem ser a favor ou contra qualquer coisa que seja popular em sua área particular. Se você está pregando para uma multidão de direitistas, Comunistas são a favor da degeneração e da homossexualidade. Se você está pregando para uma audiência mais mainstream, Comunistas são homofóbicos. Essencialmente, Comunistas são a favor da degeneração moral e da virtude puritana ao mesmo tempo. Novamente, não perceba a contradição.
19.  Ataque constantemente Stálin em relação ao Tratado Molotov-Ribbentropp, enquanto ignora-se o apoio massivo e a colaboração com a Alemanha Nazista, a Itália Fascista e o Japão Imperial pela parte dos EUA, França e Inglaterra bem antes da guerra. E depois também, em alguns aspectos.
20.  Glorifique a recentemente encontrada “liberdade” no Leste Europeu. Ignore o massivo despovoamento via migração, queda brusca de natalidade, enormes problemas com drogas e álcool, instabilidade política, guerras civis, limpezas étnicas, tráfico sexual e prostituição infantil, crime organizado, altas taxas de suicídio, desemprego, doenças, etc. Quem se importa com isso tudo quando você tem liberdade de expressão?
21.  Fale constantemente da cultura do medo em nações Comunistas, do ‘chute na porta’ no meio da noite. Ignore ‘chute em sua porta no meio da noite, enfie uma escopeta nas suas costas, e arranque-lhe da cama etc. porque você é suspeito de traficar’, uma ocorrência normal na guerra dos EUA contra as drogas.
22.  Ataque os comunistas por supressão religiosa. Ataque fundamentalistas Islâmicos por não serem seculares. Que contradição??
23.  Não perceba a ironia que os EUA estão atualmente lutando uma guerra perdida e extremamente cara contra um oponente o qual ele financiou, apoiou e até entregou sua primeira vitória no Afeganistão.
24.  O que você deve dizer quando confrontado com todos os persistentes e, muitas vezes piorados, problemas do mundo de hoje, e questionado acerca de soluções? LIBERDADE! (repita o quanto for necessário, até seu oponente ir embora).
25.  Nada vindo de “Comunistas” é confiável. A não ser que de alguma maneira sirva ao seu favor, como o “Relatório Secreto” de Kruschev de 1956 ou qualquer coisa escrita por Trotski.
26.  Líderes Comunistas eram ‘paranóicos’ por dedicarem tanto tempo à segurança interna contra a contra-revolução. Ignore as montanhas de evidências, incluindo a restauração do capitalismo no Bloco Oriental, que esta ameaça era bem real.
27.  Regimes Comunistas nunca eram populares. Se provas são apresentadas em vários casos que mostram o contrário, alegue que as pessoas sofreram lavagens cerebrais. Não faça o mínimo esforço em considerar as restrições de gastos e logística em tal empreendimento.
28.  Propaganda Comunista é rude e primitiva. Se alguém mencionar ‘Red Dawn’, ou pior, mencionar a série de quadrinhos de J. Edgard Hoover conhecida como ‘The Godless Communists’, saia correndo.
29.  Louve o secularismo em nome da ‘liberdade’ e do ‘pluralismo’ até ser confrontado por um Comunista. Então jogue a carta da religião.
30.  Atrocidades e outras coisas ruins ocorridas em regimes não-Comunistas são culpa de ‘pessoas más’ individualmente. Qualquer coisa ruim que ocorra em um regime ‘Comunista’ é culpa da ideologia e do sistema. E de Stálin.
31.  Ser um Anti-Comunista significa não ter qualquer tipo de consistência ideológica. Pregue um populismo de esquerda pseudo-socialista em 90% do tempo, então compare o sistema capitalista com a “Rússia de Stálin” (se você nunca estudou realmente o assunto, apenas leia Revolução dos Bichos e 1984). Reclame do capitalismo em 99% do tempo, porém recuse quando alguém sugerir o Comunismo como alternativa. Fascista ultra-direitista? Reclame constantemente sobre a degeneração cultural sob o capitalismo, enquanto se mantém fanaticamente contrário ao Marxismo por nenhuma razão discernível, exceto sua afinidade pelo nacionalismo histórico.
32.  Se você é um anarquista, continue apontando o ‘fracasso’ do Marxismo enquanto ignora o fato de que sua ideologia tem 100% de fracasso em toda sua história. Jogue a culpa desses fracassos nos Comunistas, ou potências militares mais fortes. Ignore o fato de que a mais maravilhosa sociedade é inútil se não conseguir defender-se da reação.
33.  Neo-Nazi? Comunismo é Judeu! Fim do debate.
34.  Neo-Hippy? Tibet!
35.   Condene constantemente o genocídio que supostamente aconteceu sob Mao, enquanto ignora as relações dos EUA com a China estabelecidas por Nixon, e o papel gigantesco da China capitalista em relação à economia moderna dos EUA. Quando você quer falar positivamente da China, é um país capitalista. Se você precisa criticá-la, ainda é ‘Comunista’.
36.  Alegue que o Marxismo não é empírico. Nem neoliberalismo, ‘democracia’ ou ‘liberdade’, mas não se preocupe com isso.
37.  Sempre insista que apesar da localidade, país, época histórica, experiência passada, e todos os outros fatores, Comunistas devem sempre querer recriar uma cópia moderna da Rússia de Stálin, e tudo isso faz sentido de acordo com você. Não perceba a idiotice inerente neste conceito, como o seu país já ser industrializado e não ter um problema histórico de atraso.
38.  Aprenda a usar a palavra mágica ‘totalitário’. Esta palavra lhe possibilita fazer ligações entre duas ideologias opostas, Comunismo e Fascismo.
39.  Ignore o fato de que os estados socialistas experimentaram mais problemas econômicos paralelamente ao número de reformas de mercado que eles fizeram.
40.  Quando contestado acerca de números ou contexto histórico, apele a rótulos como “tirano impiedoso”, “assassino cruel”, entre outros. Lembre-se, pessoas como Stálin eram assassinos em massa por causa de todas as pessoas que eles mataram, e nós sabemos que eles mataram todas essas pessoas porque eles eram assassinos em massa. Cola direitinho!

domingo, 31 de outubro de 2010

Causas do fim da União Soviética - Parte II

Aproxima-se o aniversário de 93 anos da Grande Revolução de Outubro. No calendário da antiga Rússia, o marco da Revolução é o dia 25 de Outubro, porém no calendário atual, o dia é 7 de Novembro. Como parte da homenagem a esse grande episódio da história da humanidade, seguirei com a segunda parte das causas do fim da União Soviética, com o intuito de apresentar a versão marxista de seus problemas econômicos internos. Versão esta, que é ignorada por grande parte dos ditos marxistas e pela maioria das pessoas do mundo, que preferem acreditar com todas as suas forças na velha versão liberal de que os mais fortes (ou mais competitivos e individualistas) sobrevivem.

Guerra Fria e a relatividade do conceito de bipolaridade

Bom, o primeiro ponto a ser abordado é: por mais que o mundo no século XX estivesse dividido em dois campos antagônicos, o socialista e o capitalista, eles não eram dois blocos monolíticos e isolados um do outro. O pragmatismo econômico levava a trocas entre os países rivais e, não olhemos apenas para o lado econômico, haviam trocas culturais também. Utilizemos um exemplo bem simples, porém de enormes proporções. Um estudante ocidental em maio de 1968, apesar das restrições e censuras em muitos países, levantou-se junto com milhares de seus companheiros em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. O exemplo: Mao Tse-Tung e a República Popular da China. E não se enganem, da mesma maneira que essas ideias penetraram no ocidente, a ideologia liberal conquistou seu espaço no "oriente vermelho" também. Principalmente nos anos 70 e 80 com a grande influência de teóricos como Martin Friedman, que influenciaram variados países que buscavam um maior desenvolvimento econômico. Entre estes países, inclui-se a Polônia "socialista" [1].

Neste sentido, o conceito de bipolaridade se torna um pouco mais complexo do que normalmente se ouve falar. O antagonismo nos discursos muitas vezes não era acompanhado na prática e, o que parecia ser uma disputa aguda entre dois sistemas, estava mais próximo de uma disputa de interesses geopolíticos entre nações imperialistas. O próprio cisma sino-soviético é uma prova disso. Duas grandes nações, supostamente do mesmo bloco, se tornam inimigas mortais de uma hora para outra. Ora, que bipolaridade é essa? Alguns analistas dizem que foi a brilhante diplomacia americana que causou tal separação, enganam-se. Os interesses estratégicos - e predatórios - da União Soviética em relação à China, além dos graves conflitos ideológicos entre os dois Partidos (Partido Comunista da União Soviética e Partido Comunista da China) resultaram em uma separação definitiva entre os dois países.

Ora, mas qual seria o conflito ideológico entre duas nações ditas socialistas? Não seriam as duas grandes nações portadoras do mesmo sistema? Ou seja, planificação central da economia, coletivização das terras, socialização dos meios de produção, etc. A resposta é não. Como eu disse, a bipolaridade é um conceito relativo e, a URSS, à época do cisma com a China, já estava infectada com a ideologia liberal e dominada por uma nova burguesia conhecida como nomenklatura.

O Cisma sino-soviético e a influência burguesa na URSS

Vimos anteriormente que a causa principal do cisma no bloco socialista foi o conflito ideológico entre um Partido claramente marxista (O PCCh) e um com fortes tendências liberais (O PCUS), ao contrário do que se diz sobre a eficiência da diplomacia estadunidense. Mas qual seria a base de tais disputas? Estariam os chineses corretos em sua análise? Estaria a URSS seguindo políticas claramente capitalistas? Comecemos com as palavras do próprio Mao Tsé-Tung:


"[...]O Comitê Central do PCUS apontou em seu relatório ao 19º Congresso do Partido, em Outubro de 1952, que a degeneração e a corrupção haviam aparecido em certas organizações do Partido.


"Os líderes destas organizações haviam as transformado em pequenas comunidades compostas inteiramente de seus próprios companheiros, 'colocando seus interesses de grupo acima dos interesses do Partido e do Estado' (N. A., Aqui Mao cita as palavras do relatório soviético). Alguns executivos de empresas industriais 'esquecem que as empresas que foram confiadas a eles são do Estado, e tentam torná-las parte de seus próprios domínios privados'.


"[...] Desde que Kruschev usurpou a liderança do Partido e do Estado, houve uma mudança fundamental na luta de classes na União Soviética.


"Kruschev conduziu uma série de políticas revisionistas que serviram aos interesses da burguesia, aumentando rapidamente as forças do capitalismo na União Soviética." [2]

Nestes trechos, retirados dos escritos do líder chinês do ano de 1964, é fácil a observação de uma crítica feroz ao regime soviético e de uma clara inconsistência ideológica entre as duas nações. Estas palavras de Mao representam a análise chinesa acerca da URSS, mas ainda fica no ar a questão se ela condiz ou não com a realidade. Vejamos o que economistas soviéticos diziam após a morte de Stálin:

"Estas deficiências na gestão da economia devem ser eliminadas não através da complexificação, do maior detalhamento e centralização da planificação, mas sim através do desenvolvimento da iniciativa e da independência econômica das empresas - Empresas devem possuir iniciativa mais ampla; elas não devem estar presas a uma tutelagem trivial e a métodos burocráticos de planificação central" [3]

Observem o caráter tipicamente liberal deste trecho - independência econômica das empresas em contraponto à planificação socialista. Maior independência para as empresas significa:

1. A desregulação da planificação. À medida que empresas ganham maior independência, elas repassam cada vez menos de seu lucro para o Estado, facilitando a concentração de capital na mão de seus gestores e provocando uma desigualdade de rendimentos e investimentos entre as empresas e ramos econômicos do país.
2. Maior concentração de capital em empresas independentes - a volta da busca pelo lucro. Basicamente se forma uma propriedade privada não-oficial. Já que os gestores passaram a deter mais poder.
3. Uma "planificação" vinda de baixo. As empresas mudam seus planos conforme seus desejos, basicamente inutilizando os planos centrais e criando uma série de mecanismos de mercado como, por exemplo, a flutuação de preços.

A passagem acima citada foi escrita por um economista soviético em 1955, em tempos que Bill Bland definiu como a fase de propaganda das reformas capitalistas na URSS [4].

Subseqüentemente, em Setembro de 1965, veio a fase de implementação de tais reformas. Fase liderada pelo Primeiro-Ministro Alexei Kosygin. Vejamos, em números, o que estas reformas alcançaram em 4 anos em relação a concentração de lucros e, portanto, de capital nas mão de empresas cada vez mais independentes da planificação:

1966: 26%
1967: 29%
1968: 33%
1969: 40% [5]

A porcentagem significa o quanto de lucro uma empresa deteve para si em detrimento do Estado.

Portanto, Mao tinha razão em relação ao aburguesamento da União Soviética. Os revisionistas estavam restaurando o capitalismo em larga escala, sob o pretexto disfarçado de melhorar a eficiência do planejamento central. De fato, como o prosseguimento da história nos mostrou, as reformas minaram a eficiência do planejamento e também não implantaram totalmente uma economia de mercado, causando uma forte estagnação econômica nos anos 70. A então segunda economia do mundo entraria nos anos 80 em uma espiral de decadência.

Influência burguesa e fortalecimento de uma elite 


A forte influência do liberalismo na URSS resultou no fortalecimento de uma elite e em uma forte estratificação da sociedade soviética. Isto porque as reformas econômicas revisionistas privilegiavam a alta administração do Estado e do Partido, colocando boa parte dos lucros das empresas diretamente em suas mãos e enfraquecendo o planejamento central. O que significa isso?

Basicamente significa a desmobilização da ditadura do proletariado e a transformação do regime soviético em uma ditadura sobre o proletariado. O planejamento central tinha duas funções primordiais: 1. Distribuir igualmente as riquezas da nação; 2. Fiscalizar as atividades econômicas de toda a União. A distribuição igual das riquezas servia como a argamassa social que unia todos os povos em torno de uma nação, provendo um padrão de vida médio a todos e impedindo a exploração do homem pelo homem, já que eliminava a mais-valia. É o sustentáculo primordial do socialismo e o instrumento básico para a constituição de uma sociedade igualitária e justa. E a fiscalização das atividades econômicas é a ação que permitia a construção deste tipo de economia socializada. Como tudo era planejado e decidido em detalhes, qualquer rublo sequer que fosse desviado da economia era facilmente perceptível pelas autoridades e repreendido com rigor. Portanto o surgimento de uma classe burguesa que concentrasse capitais em suas mãos era uma possibilidade bem remota.

À medida que o planejamento central é dificultado através do já mencionado "planejamento de baixo pra cima" e o controle da economia pelo Gosplan (Ministério do Planejamento) é enfraquecido, abre-se um grande espaço para o enriquecimento ilícito por parte das camadas administrativas do Estado e do Partido. Disto resulta uma nova classe de capitalistas "vermelhos", que passam a investir no mercado negro para aumentarem seus lucros e patrimônios pessoais. Detendo poder político e econômico, esta classe soviética passa a utilizar os mecanismos repressivos do Estado contra o proletariado (vide o Capítulo 8 da obra de Bill Bland, "Liberdade de contratar e demitir"), demolindo a força dos sindicatos e dos trabalhadores através da "flexibilização" dos direitos trabalhistas. Logo, a URSS se transforma em algo muito próximo de um Estado capitalista monopolista, em outras palavras, de uma ditadura sobre o proletariado.

A ditadura sobre o proletariado e a segunda economia

Finalmente chegamos ao ponto crucial deste artigo: a segunda economia ou, em outras palavras, o mercado negro privado na URSS. Keeran & Kenny definem a segunda economia soviética como "atividade econômica para ganho privado, seja legal ou ilegal" [6]. A economia privada persistia na União Soviética de Stálin, porém de forma legal. Um exemplo usual é o da agricultura, em que era permitido aos camponeses soviéticos possuírem uma pequena parte de terra para cultivar suas próprias plantas e criar seus próprios animais, como uma forma de complementação aos seus salários nas fazendas coletivas e/ou estatais. Calcula-se que em 1950, 22% do PIB da URSS vinha deste tipo de economia privada legal [7]. Já os tipos ilegais eram fortemente proibidos e coibidos pelo Estado, não representando problema sério ao socialismo. Dentre os tipos ilegais encontram-se práticas como utilizar dinheiro público para a construção de dachas, vender bens públicos a terceiros, alugar casas, vender combustível de carros pertencentes ao Estado, entre outros tipos de corrupção e desvio de bens do povo.

No entanto, a partir da morte de Stálin e do golpe revisionista, este mercado negro começou a crescer exponencialmente, resultando, no fim dos anos 70, em taxas que beiram os 35% da economia soviética [8], segundo especialistas na área como Gregory Grossman.

Neste sentido, podemos observar que a formação de uma nova classe burguesa fomentou o crescimento do mercado negro, o mercado capitalista. Quanto mais dinheiro era movimentado ilegalmente, mais a nomenklatura enriquecia, mais forte se tornava a economia de mercado e mais bizarro e irreal tornava-se o planejamento central socialista. Além disso, essa base capitalista clandestina da economia soviética fomentava as ideologias liberais no seio do país, já que a estrutura de produção material de uma nação influi tremendamente no pensamento, na ideologia e na cultura desta. Em outras palavras, criou-se as bases econômicas e sociais do capitalismo.

Os êxitos da planificação socialista

Como um contraponto ao fracasso econômico revisionista, é importante frisar os êxitos da economia socialista. Desde a introdução dos Planos Qüinqüenais, a URSS cresceu a taxas nunca antes vistas na história da humanidade, saindo de uma economia atrasada e semi-feudal e alcançando o posto de segunda economia do mundo em menos de 30 anos. Como exemplo, citarei alguns dados relativos à época:

*De 1930 a 1940, o crescimento médio da produção industrial foi de 16, 5% ao ano. [9]
*Crescimento industrial comparado entre 4 países, de 1919 a 1939:

Alemanha: —24.6%
Grã-Bretanha: —14.8%
EUA: +10.2%
URSS: +291.9% [10]


*Crescimento do capital fixo industrial, tomando como 100 o índice de 1913: 136 (1928) e 1085 (1940) [11]
*Crescimento do capital fixo agrícola, tomando como 100 o índice de 1913: 141 (1928) e 333 (1940) [12]
*Índice de incremento da produção industrial bruta de 1936 a 1938: crescimento de 88%. Sendo o aumento nas indústrias de bens de capital de 107% e, o nas indústrias de bens de consumo, de 66%[13]

Ao observar os dados, é impressionante o quanto que a URSS se desenvolvia economicamente. As proporções não são nem comparáveis aos dos países capitalistas de tão superiores. A planificação socialista fez o que as potências ocidentais demoraram 300 anos para fazer, em menos de 30. Fazendo a União Soviética, um país recém-formado, ultrapassar países já desenvolvidos como a Alemanha, a Inglaterra, a França, o Japão. Apenas os Estados Unidos se mantiveram na frente do Urso Vermelho. E o posto de segunda economia do mundo só foi retirado quando do colapso do país, em 1991.

Portanto, não se pode deixar de lado a planificação socialista, alegando seu suposto fracasso e entoando aos quatro cantos do mundo a superioridade da economia de mercado. Pois os sucessos soviéticos durante o tempo em que o planejamento dominou a política econômica são gigantescos, sendo dificilmente ultrapassáveis por qualquer economia capitalista. Como vimos, a introdução de mecanismos de mercado e o fortalecimento do mercado negro é que foram as principais causas da estagnação econômica da URSS.

Conclusão

Durante a Guerra Fria, as trocas culturais entre as nações do mundo não cessaram completamente e muito da propaganda e da ideologia burguesa penetrou em regimes socialistas. A União Soviética sofreu inclusive uma mudança radical após a morte de Stálin e o golpe revisionista de Kruschev contra as lideranças marxistas-leninistas restantes. Esta mudança, como já vimos, resultou em uma série de reformas que restauraram certos mecanismos da economia de mercado, dificultando o funcionamento no planejamento central. Tais reformas privilegiaram a alta cúpula da administração estatal, o que acabou por formar uma nova e poderosa elite capitalista, fomentando a existência de um mercado negro na URSS e a constituição de uma ditadura sobre o proletariado.

Esta debilitação da economia socialista acabou por criar uma estagnação terrível na União Soviética, que resultou em uma brusca queda do padrão de vida da população, uma grande concentração de renda na mão de poucos e na explosão de todo o tipo de atividade ilegal, incluindo o crime organizado - a temida máfia russa. Tudo isto foi feito com o consentimento do Partido, seja através da corrupção, seja através da má índole dos líderes. Fez-se vista grossa ao assunto, já que quase não se discutia a segunda economia na URSS, e manteve-se uma aparência de socialismo.

As reformas econômicas revisionistas foram apresentadas como medidas para o aumento da eficiência da planificação central e as atividades ilícitas varridas para debaixo do tapete.

Portanto formalmente a URSS permaneceu como uma economia socialista centralmente planificada até a perestroika de Gorbachev, mas na realidade, era um misto nenhum pouco harmônico de economia capitalista e socialista. Os problemas econômicos derivavam, em grande parte, da corrupção, do mercado negro e da confusão gerada na planificação quando da introdução da busca pelo lucro, da independência das empresas em relação ao Estado, da flutuação de preços, etc. O que Gorbachev fez, na verdade, foi legalizar boa parte do mercado negro capitalista e dissolver de vez os últimos resquícios da economia socialista, para assim beneficiar a nomenklatura e reestruturar a economia em frangalhos da URSS.

Concluo que as deficiências econômicas internas da União Soviética estavam mais ligadas às reformas capitalistas instauradas de maneira estabanada e pouco harmônica do que ao sistema socialista de planificação central. Até porque, pelos dados econômicos disponíveis, a URSS crescia vertiginosamente enquanto o regime marxista-leninista existia. Neste sentido, as causas econômicas internas do fim da União Soviética estão relacionadas à traição aos princípios socialistas, e não à sua aplicação coerente.


[1] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 51
[2] Mao Tsé-Tung, On Kruschov's Phoney Communism and its Historical Lessons for the World. N.A., trecho traduzido pelo próprio autor.
[3] E.G. Liberman: "Cost Accounting and Material Encouragement of Industrial Personnel", in: "Voprosy Ekonomiki" (Problems of Economics), No 6, 1955, in: M.E. Sharpe (Ed.): op. cit., Volume 1; p.7; citado em: Restauration of Capitalism in the USSR, de Bill Bland.
[4] Bill Bland, Restauration of Capitalism in the USSR, Chapter 1.
[5] ibid., Chapter 15.
[6] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 52
[7] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 55
[8] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 60
[9] Ludo Martens, Stálin - Um Novo Olhar, p. 73
[10] Bill Bland, Stalinism, palestra dada para Academia Sarat, em Londres. Dados de fontes ocidentais citadas no 17º Congresso do Partido Comunista de Toda a União (Bolchevique)
[11] Harpal Brar, Trotskismo x Leninismo - Lições da História, p.133
[12] Idem
[13] Hiroaki Kuromiya, Stalin's Industrial Revolution, p. 287