segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Lá e de volta outra vez

Ando meio sem tempo para fazer as traduções acerca das notícias das falsificações nos arquivos russos, aliás, por uma série de motivos fiquei sem tempo para postar qualquer coisa por aqui. Mas agora estou aqui e farei alguns comentários sobre acontecimentos recentes na Rússia. (Tudo pode ser acompanhado no blog que já citei aqui: mythcracker)

De Julho para cá, o parlamentar Viktor Ilyukhin trouxe mais publicidade ao caso das falsificações. Primeiro, indo a um programa de televisão mostrar alguns dos documentos forjados e responder à perguntas e dúvidas sobre o caso. Segundo, mandando uma carta, agora em setembro, para o primeiro-ministro Vladimir Putin informando os recentes acontecimentos ao líder russo e pedindo que alguma ação fosse tomada. Mas a publicação mais importante foi, sem dúvida, o artigo acerca dos 49 sinais de falsificação encontrados nos documentos. Neste artigo, apresenta-se análises aprofundadas de documentações da época soviética com suspeita de falsificação. Conclui-se o estudo apontando 49 sinais de falsificação, 49! Dentre eles erros grotescos como errar o nome do Partido e erros mais sutis, como diferenças entre as máquinas de escrever e os papéis utilizados.

Este é, sem dúvida, um dos mais importantes acontecimentos da história contemporânea. Um passo adiante em busca da verdade acerca da União Soviética, um passo adiante na tarefa de demolição de mitos propagandísticos e na construção de uma história soviética mais honesta. Tenho certeza que o século XXI será o berço de um novo entendimento acerca do movimento comunista internacional e da destruição dos paradigmas extremamente superficiais e preconceituosos que ainda reinam neste riquíssimo campo historiográfico.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O mito do igualitarismo marxista

Me impressiono cada vez mais com as pessoas. Elas adoram opinar sobre tudo, e mais ainda, opinar sobre assuntos que não dominam nem o básico. O pior disso tudo é quando essas opiniões passam a ser compartilhadas por milhões, até bilhões de outras pessoas, até que o que era apenas uma idéia incorreta torna-se subitamente a mais pura verdade. Há muitas pessoas - ditos intelectuais até - que baseiam suas idéias política em um erro grotesco do que seria o socialismo marxista. Defendem o capitalismo porque supostamente o socialismo busca a homogeneidade, o igualitarismo em sua forma mais simples e "pura". Ou seja, para eles, o marxismo seria uma espécie de ditadura que impõe uma roupa igual a todos, casas iguais, produtos iguais, enfim, tudo igual mesmo, inclusive os salários. Daí ocorre uma supressão do individual em prol de uma coletividade homogênea. Surge então uma sociedade estagnada, nada criativa e bastante opressiva.

Agora eu me pergunto, de onde foi que tiraram isso? Dos escritos de Marx e Engels que não foi, já que nem na obra mais básica de todas, "O Manifesto do Partido Comunista", não há nada disso. Inclusive, eles dizem que no socialismo as pessoas devem ser remuneradas de acordo com sua habilidade e produtividade. Bom, nas experiências históricas também não. Já que os bolcheviques jamais igualaram salários de ninguém, um cientista de grande importância ganhava bem mais que um jardineiro mediano, assim como um operário como Stakhanov ganhava muito mais do que um diretor de fábrica mediano. É importante agora frisar uma idéia básica do marxismo: a igualdade, é a igualdade de classe. Ou seja, deve-se abolir a diferenciação entre donos dos meios de produção e trabalhadores que vendem sua força de trabalho. Em outras palavras, deve-se abolir as classes sociais pra que todos REALMENTE possam ter direitos iguais.

Não é hipócrisia socialista o fato de uma pessoa extremamente produtiva ser herói da nação e viver em um apartamento maior e mais bem localizado que um trabalhador que apenas cumpre suas metas. Não é crime uma pessoa querer buscar algo mais que as outras, querer inovar, querer revolucionar, querer crescer profissionalmente. Não é crime ganhar um salário maior que o outro, ter notas maiores que os outros, não é crime destacar-se na sociedade - senão Lênin seria o primeiro a ser condenado na URSS. A diferença básica entre os sistemas reside em alguns pontos listados a seguir:

*É crime ter direito a uma escola muito melhor que a dos outros;
*É crime ter acesso a um sistema de saúde mais eficiente que o dos outros;
*É crime ter privilégios sobre os outros por uma simples questão de nascimento - questão de classe;
*É crime explorar a força de trabalho alheia para seu próprio enriquecimento;
*É crime enriquecer sem prestar a devida conta à sociedade - ou seja, sem ser produtivo;

Isto é uma simplificação, obviamente há tantas outras diferenças, mas o ponto é demolir este mito do igualiarismo marxista. O marxismo reconhece a importância do indivíduo, sempre reconheceu, porém este indivíduo não deve esquecer que pertence a uma sociedade e que há outros indíviduos que merecem seu respeito. Somos um ser social. E dependemos da coletividade para sobreviver. É inadimissível a exploração do homem pelo homem, é inadimissível o privilégio que os meios de produção oferecem aos capitalistas, é inadimíssivel que se considere iguais em direitos e deveres, pessoas que não nasceram e não usufruem das mesmas condições. Como um favelado pode ser igualado em direitos com um magnata da imprensa? Ele não tem acesso a nada, passa fome, freqüenta escolas caindo aos pedaços, isto quando não leva tiro da polícia e morre aos 20 anos. É muito fácil falar, plim! Vocês são iguais. Mas há realmente base para a igualdade de direitos dentro do regime capitalista? Ele não mantém os mesmos privilégios de classe que, por exemplo, a sociedade feudal? É apenas um pouco mais maquiado e um pouco mais aberto para a ascensão de classes, mas isto não o torna democrático.

Quando se abole as classes, quando se provide educação de qualidade e de graça, além de um ambiente saudável e pouco violento a toda uma população, você elimina a problemática dos privilégios quase que por inteira. Aí sim é possível ter igualdade de direitos e democracia. A burguesia revolucionou o mundo com sua lógica, deu os primeiros passos de uma sociedade democrática, mas esta revolução já tornou-se obsoleta, reacionária. É necessário a superação do capitalismo para que a igualdade, a fraternidade e a libedade venham realmente entrar em cena à toda a população humana, e não a uma minoria privilegiada.

É completamente errado apelar a este espírito igualitarista do marxismo para atacá-lo, demonizá-lo. É preciso analisar melhor o que se passou na União Soviética marxista-leninista (já que na revisionista foi bem diferente e, neste sentido devo dizer que talvez a base de toda essa déia resida no revisionismo soviético, já que aí sim, havia uma busca pela igualdade indistinta de salários) antes de sair esboçando críticas pouco concretas e por demais idealistas, ou melhor, ideológicas. A própria idéia leninista, que coloca um Partido como vanguarda classe operária rejeita esta homogeneidade social. É uma idéia simples de que os mais capazes, que os dotados de mais recursos, devem guiar os desamparados à vitória contra seus opressores, caso contrário, dificilmente sairiam da situação de explorados e alienados. Isto supõe uma diferenciação entre os indivíduos, mas esta diferenciação não justifica a dominação, pois ela é, em muitos sentidos, fruto desta dominação. Porque um operário não teria a mesma capacidade de Lênin? Pois Lênin teve acesso a tudo que havia de mais evoluído na sociedade da época, enquanto o operário mal fora alfabetizado, além de viver na penúria, na fome, na violência.

Ao contrário do que aquele e-mail direitista que rola na internet, a sociedade não dá as mesmas condições às pessoas do mesmo jeito que uma universidade em particular dá aos seus alunos (de uma maneira ideal, excluindo qualquer diferença de classe, qualquer manifestação de preconceito, qualquer problema individual). O aluno A e o aluno B receberam a mesma bibliografia do professor, têm o mesmo professor, ficam na mesma sala de aula, têm a mesma biblioteca para poder estudar, entre outras coisas. Mas o A tirou 5 e o B tirou 10 na prova. E aí? Isto prova que indivíduos são diferentes. Mas e se, nessa universidade, o estudante B tivesse acesso a um professor melhor, a livros melhores, a ambientes melhores, que o estudante A? Será que a nota do B não seria inluenciada por seus privilégios? Será que o estudante A não está sendo injustiçado?

Enfim, esta idéia das notas é bem tosca e cheia de furos, além de bastante simplista. Tentei usá-la apenas para fins didáticos. O fato é que um comunista marxista jamais pensou em igualar todo mundo e transformar a sociedade em algo homogêneo. A idéia é igualar as oportunidades, é igualar em direitos, é abolir este privilégio ambulante chamado de classe social, é a justiça social plena. Em que cada um seja remunerado por sua contribuição social, sua produtividade, sua habilidade. E que as pessoas sejam vistas como pessoas mesmo, e não como mercadorias e simples objetos que devem ser usados para se enriquecer, para se buscar a fama e para satisfazer a ganância e o ego.

O mito do igualitarismo marxista não passa disto, de um mito. A igualdade é a igualdade de classes. Sem classes, sem privilégios. Sem privilégios, surge a verdadeira democracia.

*Nota de complemento: Com este post, não quero dizer que havia ricos e pobres na URSS bolchevique - como pode ser interpretado quando eu falei que trabalhadores destacados receberiam mais do que os que apenas cumpriam as metas. A diferença nunca chegava a ser avassaladora como nos regimes capitalistas. Um revolucionário da produção industrial como Stakhanov - sempre uso seu exemplo, pois ele se tornou o "trabalhador modelo" de sua época - receberia aumentos salariais, incentivos materiais, mas ele não ganharia milhões de rublos. Talvez poderia alcançar uma diferença de 3, 4 vezes o salário mediano, jamais 100 vez - e acima até - como ocorre no desigual capitalismo. Até porque o maior incentivo aos trabalhadores vinha da Emulação Socialista, e não de incentivos puramente materiais - o que muda bastante com a vitória do revisionismo kruschovista.

Vale ressaltar que a Emulação Socialista não é puramente bobeira ideológica do regime, ela teve papel fundamental no crescimento gigantesco da URSS dos anos 30, 40 e 50. Inclusive, o Museu da Emulação Socialista de Moscou passou a receber cada vez mais visitas de empresários capitalistas em busca de alternativas para o aumento da produção de suas empresas, alternativas que não apelassem ao puro e simples aumento do estímulo material. Os maiores freqüentadores do Museu foram japoneses, que logo conheceriam seu "boom" econômico.

Recomendo a todos a entrevista com o ex-Comissário do Povo para a Agricultura, Ivan Aleksandrovich Benediktov - disponível em português no site "Para a História do Socialismo" http://hist-socialismo.blogs.sapo.pt/ - a qual ele explica um pouco da diferença das políticas trabalhistas bolcheviques para as políticas trabalhistas do revisionismo kruschovista. Além de salientar a forte presença japonesa nos salões do Museu da Emulação Socialista de Moscou.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fonte de informações sobre Katyn

Acabei de descobrir que o sueco Holmström tem um blog (CORREÇÃO, viajei ao colocar "colegas" dele.. hahaahaha) - em língua inglesa - que possui as informações que passei aqui e muito mais! Lá há fotos dos documentos, videos de entrevista com Viktor Ilyukhin, entre outras coisas. Vou procurar traduzir ao português tudo que eu puder, para que estas informações importantíssimas possam circular em nossa língua também, já que, se depender de nossa querida mídia - discípula de Goebbels - essas informações jamais passarão adiante em terras tupiniquins.

Aqui o link do blog: http://mythcracker.wordpress.com/

Peço a todos os camaradas que visitarem aqui o mamayev kurgan que procurem divulgar o máximo possível estas informações, pois elas têm um impacto gigantesco em toda a escrita da história contemporânea. Já que pode representar o começo do fim de um dos paradigmas reinantes da história do século XX - o nefasto paradigma totalitário que guiou cegamente boa parte das ciências sociais, históricas e econômicas até os dias atuais.

Urgente: Suspeita de falsificações em massa nos arquivos soviéticos!

O mês passado foi marcado por confusões e controvérsias na Rússia. Após Viktor Ilyukhin, parlamentar da Duma russa, revelar uma série de sinistras falsificações nos arquivos da Federação Russa relacionados aos tempos soviéticos. Não há nada certo ainda, mas o membro do PCFR (Partido Comunista da Federação Russa) exigiu sérias investigações parlmentares sobre o assunto. Relatarei a seguir, as informações que recebi do pesquisador sueco, Sven-Eric Holmström, que vem acompanhado a situação da Rússia através de colegas seus dedicados ao caso de Katyn. Sinto dizer que não consegui traduzir muito bem, muito em função da pressa para espalhar a notícia. Portanto creio que o texto ficou bem confuso e meio estranho de ler, porém dá para captar sua essência.

Katyn 28 de Maio – 18 Junho

Parte I

Em 20 de Maio de 2010, uma pessoa anônima ligou para o membro da Duma Russa, Viktor Ilyukhin, e disse que tinha algumas coisas a dizer com relação às execuções de oficiais poloneses em Katyn. Ilyukhin conheceu esta pessoa no mesmo dia e, durante o encontro, ele revelou seu nome e disse que estava diretamente envolvido com falsificações de documentos do arquivo russo, incluindo documentos relacionados à Katyn. Entre outras coisas, a “Carta de Béria No. 794/B” e a “Carta de Shelepin” de 1959, foram falsificadas por ele e seu grupo.

Este grupo foi especialmente formado durante os tempos de Yeltsin, trabalhando no começo dos anos 90 em uma vila chamada Nagornoye (eles ficaram em uma dacha que havia sido usada anteriormente por membros do Comitê Central do Partido Comunista). O grupo fora bem pago e provido com vários tipos de produtos. Eles tinham à disposição um conjunto de velhos carimbos e fôrmas soviéticas.

O informante anônimo (o nome não é revelado neste momento por questões de segurança) disse como as falsificações foram feitas. Eles falsificaram até as assinaturas de antigos líderes soviéticos. Também falsificaram o ato de abdicação de Nicolau II. Este grupo trabalhou até 1996, quando eles foram movidos de Nagornoye para a vila de Zaretye.

Pessoas envolvidas neste grupo eram o Coronel Klimov (o qual esteve diretamente envolvido com a falsificação da “Carta de Shelepin”), o chefe do arquivo Russo Rudolf Pichoya, o colaborador mais próximo de Yeltsin M. Poltoranin, e o chefe da segurança do presidente russo G. Rogozin. Rudolf Pichoya era, aliás, o indivíduo que, sob as ordens de Yeltsin, entregou documentos do “pacote fechado no. 1” (a chamada pasta de Katyn) a Lech Walesa em Varsóvia, no dia 14 de Outubro de 1992.

O informante também disse que até onde ele sabe, até empregados do 6º Instituto do Estado-Maior Russo (com Molchanov como chefe) trabalhavam de maneira similar.

De acordo com as informações, centenas de documentos relacionados a importantes momentos da história soviética foram falsificados. Eles também distorceram o conteúdo de outros documentos. Para apoiar suas alegações ele apresentou uma série de fôrmas dos anos 40, carimbos falsos, marcas de carimbo em papel, entre outras coisas. Ele prometeu entregar mais materiais.

Viktor Ilyukhin mandou duas cartas (26 e 28 de Maio) sobre isso ao líder do PCFR (Partido Comunista da Federação Russa), Gennadiy Zyuganov, com um pedido para continuar as investigações e clamando pela participação de mais cientistas e acadêmicos neste assunto.

Parte II

Em 3 de Junho de 2010, um video foi lançado de Viktor Ilyukhin revelando oralmente o que ocorrera.

No vídeo ele menciona as últimas informações as quais recebera do informante anônimo. Ele mostra algumas fôrmas vazias (entre outras, uma parecida com a que foi feita para a “transcrição de Béria”), ele mostra todos os carimbos que de acordo com as informações, são falsos.

Ilyukhin também fala sobre o documento de 202 páginas que contém correspondências de Stálin e relatórios para ele de 1941. O objetivo desta farsa em particular era inserir o máximo de informação possível nos documentos, para que mostrasse que a inteligência soviética sabia perfeitamente da guerra que se aproximava já na primavera de 1941, e que Stálin fora avisado e mesmo assim ignorou todos os avisos.

O informante disse que ele não conseguia mais acompanhar com calma os eventos que as falsificações causaram. Ele também disse que toda vez que mencionavam os documentos os quais seu grupo havia formado, sentia uma reação irônica. O homem também disse que fora ele que falsificara a assinatura de Béria na “Carta de Béria no. 794/B”. Ao mesmo tempo, as assinaturas de Stálin, Voroshilov, Molotov e Mikoyan foram postas na mesma carta.

O homem disse que o Coronel Klimov fora o único responsável pela “Carta de Shelepin” para Kruschev “de 1959”. Não deverá ser difícil comparar esta carta com outras que Klimov escreveu, para assim comparar sua letra e fazer um estudo técnico acerca dela. De acordo com o vídeo, algumas ordens de falsificação vieram diretamente do chefe do arquivo, Rudolf Pichoya. Todos os documentos falsificados são relacionados às décadas de 30 e 40, i.e. apenas a época soviética.

No vídeo foi dito que os falsificadores trabalharam na vila de Nagornoye entre 1991 e 1996, depois mudaram para um local não muito distante dali. O informante não exclui a possibilidade do grupo ainda estar na ativa. Este grupo produziu centenas de milhares de páginas de documentos falsificados que foram postos em circulação.

Ilyukhin termina o vídeo afirmando: “Não há mais qualquer credibilidade restante para os arquivos russos”.

Parte III

Em 16 de Junho de 2010, Ilyukhin levou à Duma estas novas revelações.

Ele disse que o PCFR tem informações acerca de tamanhas fabricações que estas devem ser completamente controladas por uma investigação parlamentar. O propósito destas falsificações feitas durante os anos 90 deve ter sido o de igualar o Stalinismo ao fascismo.

Ilyukhin repetiu a informação de que pessoas do 6º departamento de Estado-Maior das forças armadas também estavam envolvidas em atividades de falsificação. A atividade deste grupo coincidiu com a desclassificação de documentos do Politburo e do Comitê Cental do Partido Comunista por uma comissão de governo liderada por Mikhail Poltoranin.

Eles chegaram a conclusão de que o chamado “Testamento” de Lênin é forjado. Entre outras falsificações estão os documentos relacionados à abdicação de Nicolau II e à suposta participação de Stálin como agente da polícia secreta do Tzar (ochrana).

Ilyukhin disse que agora é possível constatar que a “Carta de Béria” de 5 de Março de 1940 é falsificada. Ele mostrou a opinião de um especialista. Também a transcrição da decisão do Politburo, a qual é concedida a permissão para a execução dos poloneses, é fabricada. Ele também apresenta a opinião de um especialista sobre o documento da dita cooperação entre o NKVD e a Gestapo, a conclusão é que também é uma farsa. Ilyukhin demonstrou grandes preocupações por esta situação de que muitos documentos haviam sido forjados, já que dá uma imagem errada aos estudiosos de eventos que aconteceram há pouco tempo “em nossa história”, como ele colocou.

Ele disse que provavelmente ele teria se restringido a fazer comentários sobre falsificações em larga escala, se isto não fosse apoiado pelo fato de que Dimitry Volkogonov entregou centenas de documentos ultra-secretos à Biblioteca do Congresso dos EUA nos anos 90. Os documentos do arquivo russo estão “certamente vagando livremente por toda a Europa”, como Ilyukhin disse.

Ele mencionou os falsos carimbos que ele tem em sua posse, incluindo carimbos das assinaturas de Béria e Stálin, e que há fôrmas vazias dos anos 30 e 40 as quais foram utilizadas para fazer tais documentos.

Ele também mencionou o “caso especial no. 29” de 1941. Alguns destes documentos foram legalizados, infelizmente, ele diz. A pasta contém inscrições: “arquivado para sempre” e “não sujeito à desclassificação”, no entanto estes documentos estão fora do arquivo.

Recentemente Sergey Mironenko, gerente no Arquivo do Estado Russo, disse que estas coisas jamais poderiam ter acontecido e que Ilyukhin estava espalhando pura fantasia. Ilyukhin disse que está preparado para resignar da Duma se Mironenko puder provar que estes documentos nada têm a ver com os eventos das décadas de 30 e 40. Se Mironenko falhar, deverá largar seu posto.

Ilyukhin defende a questão acerca da necessidade de se conduzir uma nova investigação parlamentar sobre o massacre de prisioneiros de guerra poloneses em Kozi Gory e sobre a falsificação de outros documentos históricos.

No futuro próximo, ele sugerirá uma mudança legislativa na Rússia, a qual considerará um crime a falsificação de documentos de grande importância histórica.

Ilyukhin diz que é errado achar que isto tudo tem a ver com passado. Tem tudo a ver com o nosso tempo presente, ele conclui.

Parte IV

O PCFR realizou uma conferência de imprensa sobre este assunto em 18 de Junho de 2010.

Yuri Mukhin relata sobre a conferência em sua página na internet. Ele disse que a maioria das pessoas ali reunidas estavam interessadas em saber quem havia contatado Viktor Ilyukhin e confessado. Ilyukhin explicou que esta pessoa está correndo grande perigo. Mukhin conversou brevemente com Ilyukhin depois da conferência, quando Ilyukhin estava a caminho de outro lugar. Ele chegou às conclusões que seguem:

A pessoa anônima realmente teme por sua vida e está se escondendo por causa disso.
Ela não é nenhum lunático, mas sim uma verdadeira especialista em falsificações. Mukhin não pode dizer neste momento o que confirma esta afirmação, mas no tempo certo o povo saberá.
O motivo dela é a dor de ver o que vem ocorrendo ultimamente em seu país. É um motivo pessoal que pode ser compreendido por uma perspectiva humanista. Quando ela for mais bem conhecida, as pessoas eventualmente entenderão seus motivos.

Antes de Ilyukhin ir embora, ele ainda disse que esta pessoa anônima não foi a única que confessou, mas na pressa, Mukhin não teve tempo de pegar uma explicação sobre isto.

Na conferência de imprensa havia representantes da mídia polonesa e de pessoas do “Memorial” russo. Um jornalista polonês tentou argumentar contra Ilyukhin dizendo que a execução dos oficiais poloneses é confirmada pelas escavações em Kharkov e Mednoe. Ilyukhin respondeu que na URSS apenas “criminosos poloneses” foram executados. Mukhin, no entanto, acha este argumento um tanto ao quanto inadequado. A resposta deveria ter sido que um tribunal não teria uso nenhum para conclusões de alguns escavadores desenvolvidas durante uma comissão desprovida de provas concretas.

Por exemplo, Mukhin diz que eles deveriam explicar porque entre os 162 crânios encontrados em Kharkov, apenas 62 buracos de bala foram encontrados. Enquanto que os mortos em Katyn, em sua maioria, apresentavam buracos de bala. Em Mednoe, 226 “poloneses” mortos foram encontrados, mas apenas 20 tinham buracos de bala.

A exumação faz parte do processo judicial; tudo encontrado deve ser devidamente documentado, descrito, fotografado e coletado. Todas as provas devem então ser empacotadas, protegidas contra a destruição e preservadas até que possam ser apresentadas em tribunal, o qual então deverá decidir o caso.

Nikita Petrov do Memorial russo, tentou representar o caso inteiro como relatando-se a “um falsificador amador que fez algum dinheiro com suas fabricações, mas que não tem nada a ver com os documentos de Katyn.”.

Mukhin argumenta contra esta posição. Ele diz que apenas um indivíduo jamais pode fazer falsificações tão avançadas como são as deste caso. Mukhin diz que antes que você possa vender algo, primeiro tem que comprar. Entre outras coisas, os falsos carimbos devem ser pagos. O papel genuíno antigo dos anos 30 e 40 deve ser adquirido (com composições e texturas específicas). Então há o trabalho de colocar todos estes documentos e pequenas notificações aqui e ali, o que consome bastante tempo.

Além disso, máquinas de escrever daquele período devem ser adquiridas (por exemplo, do escritório de Béria). Isto é algo que não é feito sem consideráveis problemas. Para fazer isto você deve encontrar documentos no arquivo da KGB sobre entregas de máquinas de escrever, depois descobrir qual tipo de máquina foi entregue aos escritórios de Béria, para então ir a uma loja de antiguidades para encontrar aquele tipo específico de máquina.

E finalmente, você está gastando muito tempo e dinheiro para produzir, por exemplo, a “Carta de Stálin ao Estado-Maior do Exército Vermelho”, mas então você deve vender o documento. Mas para quem? Todos entenderão que o documento é roubado, mesmo que não seja falso. Os estudiosos estão interessados no texto do documento, e nunca pagariam grandes quantias de dinheiro por documentos. É mais conveniente, e também sem maiores gastos, colocar os documentos diretamente nos arquivos. Porque alguém compraria um documento falso, para então cometer também um crime?

De acordo com Ilyukhin, eles têm medo pela vida da vítima. “A testemunha será apresentada à investigação, caso esta seja conduzida nos mais altos níveis governamentais”, disse Ilyukhin.

Ilyukhin também disse que “os participantes do grupo de investigação independente também estão sujeitos à pressão, portanto é sugerido que eles oficialmente retirem seus depoimentos”.

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Continuem acompanhando o blog para novas notícias acerca das falsificações.

terça-feira, 13 de julho de 2010

FARC: O outro lado da história


Em Cauca, a Colômbia ainda está em guerra. Você encontra trincheiras em todos os cantos, tanques, helicópteros Blackhawk e muitos soldados. Combates ocorrem aqui quase todo dia e as pessoas já se acostumaram a isso. Mais que isso, elas têm certeza de que no dia da eleição haverá ataques.

Porém, mesmo com toda a presença militar, nós conseguimos encontrar os rebeldes de esquerda das FARC, que ainda lutam contra o governo colombiano. Nós seguimos até a cidade de Toribio, que fica no meio das montanhas. Foi aí que vimos eles. Estavam se preparando para atacar os militares. Estavam carregando RPG's e Ak-47. Eles vinham das montanhas, dos canais de esgoto, de todos os lados. Eles disseram que um combate contra os militares estava por vir.

Mais tarde, vimos eles de novo. Eles formaram um bloqueio na estrada. Centenas de veículos ficaram parados por horas a fio. O Comandante Duber era o homem no comando - ele nos deu uma entrevista exclusiva na véspera das eleições presidenciais da Colômbia.

"Nosso inimigo principal é o presidente Uribe e as forças armadas. Nós queremos dizer ao povo que ainda estamos vivos, ainda estamos fortes. Há eleições na Colômbia. As pessoas podem votar em quem elas quiserem. Mas nós vamos continuar lutando. A ideologia das FARC é vencer ou morrer, isto é o que Che Guevara disse.", Duber disse a nós.

Desde que o presidente Alvaro Uribe chegou ao poder ele tem lutado contra os rebeldes de esquerda - que são a organização guerrilheira mais velha da América do Sul. Ele expulsou-os das principais cidades, mas em Cauca a luta ainda continua.

"Presidente Uribe oferece dinheiro [e] carros para aqueles guerrilheiros que se entregarem. Estes que se entregam não são guerrilheiros de verdade. Eles deviam dar este dinheiro para aqueles que ainda passam fome neste país. Nós não precisamos dele."



O Comandante Duber juntou-se à organização quando tinha 16 anos de idade. Ele disse que tem orgulho de ter sobrevivido à presidência de Alvaro Uribe.

"Uma nova Colômbia é um lugar onde os pobres têm trabalho, igualdade social, sistema de saúde e educação de graça. Não é como agora; não há igualdade aqui. Não há saúde, nem educação para os pobres - apenas para os ricos.", ele disse.

O governo acusa as FARC de tráfico de drogas. De fato, algumas áreas onde a folha de Coca cresce são controladas por eles.

"As pessoas aqui nos ajudam, nós recebemos ajuda dos países vizinhos. Você não vê as FARC em um aviãozinho levando cocaína para os EUA. Nós não somos o problema. Plantações ilegais são o único meio de que os fazendeiros têm para se alimentar. O governo não lhes oferece outra alternativa."

Duber disse que as FARC não estão tentando influenciar as pessoas a votar em algum candidato nas eleições. Para as FARC, todos os candidatos são os mesmos. Mas o grupo mandou sim uma mensagem a Juan Manuel Santos, que poderá vir a ser no Domingo o próximo presidente da Colômbia.

"Juan Manuel Santos quer continuar a guerra, então estamos prontos para lutar. Se houver condições para a paz, então podemos sentar e conversar. Mas é difícil. Santos matou muitas pessoas inocentes enquanto tentava nos matar."

Quando a entrevista acabou, as FARC abriram o bloqueio e subiram de novo para as montanhas. Eles pareciam preparados para mais um combate.

Fonte: http://blogs.aljazeera.net/americas/2010/06/20/farc-side-story-0

sábado, 19 de junho de 2010

Causas do fim da União Soviética - Parte I


Terminada a Segunda Guerra Mundial e o período de reconstrução, a União Soviética despontou no mundo como uma super potência. Ela conhecera um desenvolvimento jamais visto antes. Em cerca de 20 anos saíra de um país agrário, semi-feudal, para um industrializado, moderno e incrivelmente poderoso. Basicamente isolada do mundo, a URSS abriu um novo caminho para nações que buscavam independência da exploração imperialista das potências capitalistas, afinal, ela se erguera por suas próprias pernas e pela luta de seu próprio povo. Não houve injeção de capital estrangeiro, não houve grandes investimentos capitalistas, o que houve foi o entusiasmo revolucionário dos trabalhadores e a eficiência de planos econômicos conhecidos como "Planos Qüinqüenais". Devido a eles, a primeira nação socialista do mundo entrou nos anos 50 como exemplo de um caminho a ser seguido. Um exemplo de sucesso estrondoso.

No entanto, em meados da década de 80, a super potência começou a demonstrar desgaste. A produção já não era mais grande coisa, a economia estava decaindo e o padrão de vida também. Do mesmo jeito que despontara para a glória, a União Soviética despencava para o esquecimento. E quais seriam as razões de tal decadência? Já se produziu bastante coisa sobre o assunto, mas boa parte peca por formar críticas extremamente ideológicas e muito pouco presas aos processos históricos soviéticos. Como, por exemplo, a tão conhecida idéia da superioridade da economia de mercado sobre a planificação socialista. Diz-se que esta tende a estagnar-se por falta de competição, por falta de liberdade de investimentos, por falta da iniciativa privada, ou seja, por falta da incessante busca pelo lucro. Tais críticos deveriam, pelo menos, dar uma olhada na economia da RDA que, mesmo no fim dos anos 80, crescia acima das médias da RFA e inclusive dos EUA. Além de se atentar à já mencionada eficiência da planificação socialista sem querer forçá-la dentro de um esquema ideológico liberal, e sim procurando observá-la dentro do contexto soviético. Esta crítica serve para todo o tipo de análise sobre a URSS, que sempre é feita tendo por molde o paradigma totalitário, o que acaba por empobrecer todas as pesquisas e limitar a compreensão de uma das mais ricas experiências históricas do mundo.

Bom, com este post pretendo iniciar minha jornada em torno das causas do fim da União Soviética, vista por uma perspectiva fora do paradigma totalitário e do paradigma liberal. É bom frisar que não pretendo fazer artigos acadêmicos e tudo o mais, minha vontade é apresentar meu ponto de vista e dar uma introdução básica do assunto a pessoas interessadas. Não vou ficar aqui apelando a autoridades toda a hora e colocando notas em tudo que digo. Até posso fazer artigos sobre o assunto no futuro, mas por enquanto me contento com simples discussões acerca da História Soviética sem pretensão alguma além de abrir a mente de quem ler para um modo diferente de ser ver o mundo. Esta primeira parte abordará uma questão externa à URSS que contribuiu bastante para seu fim, o fato de que sua política internacionalista levou-a a carregar em suas costas uma série de nações subdesenvolvidas e/ou devastadas pela guerra.

Cabe agora definir o que chamo de subdesenvolvido. Englobo neste termo países pouco industrializados ou basicamente não-industrializados; países com economias fracas e dependentes de capital externo; países com infra-estrutura precária e países com graves problemas sociais e políticos. Dito isso, apresentarei meu ponto de vista a seguir.

Dentro da perspectiva internacionalista do bolchevismo, a União Soviética tinha deveres frente ao mundo que deveriam ser cumpridos. Por ser o primeiro Estado socialista, deveria ser a defensora dos povos oprimidos pelo imperialismo e, conseqüentemente, exportadora dos ideais socialistas a toda classe trabalhadora de todas as nações do planeta. Dito isto, não só deveria ajudar partidos aliados através da Internacional, como também tinha que auxiliar nações subdesenvolvidas em suas lutas pela emancipação e pela autodeterminação. Além é claro, de que no pós-Segunda Guerra, havia a importante questão de reconstruir países devastados pelos combates - inclusive ela mesma.

O que resulta deste cenário? A União Soviética era uma superpotência que sofrera muitos danos pela guerra - mais de 20 milhões de vidas humanas e incontáveis prejuízos econômicos e estruturais. A União Soviética teve de se reconstruir sozinha - imaginem os gastos para tal feito. A União Soviética injetou bastante divisas em países do Leste Europeu, não só para reconstruí-los como também para industrializá-los e conceder-lhes bases para o socialismo - imaginem gastos ainda mais estratosféricos. Por último, a União Soviética investiu pesadamente em lutas anti-colonialistas do pós-guerra, em movimentos revolucionários por todo o globo, e em governos aliados que buscavam superar o subdesenvolvimento. Basicamente metade do planeta passou a depender da União Soviética para conseguir dar seus primeiros passos em busca de independência. Imaginem o esforço que uma nação tem de fazer dentro de um cenário como estes. E mesmo esta nação sendo uma superpotência, tais investimentos pesam e somados com tantos outros gastos necessários para um governo socialista se manter - forças armadas; subisídios em alimentação, transporte, lazer; educação e sistema de saúde de graça; etc - acabaram por ter um papel importante na dissolução do país.

Enfim, a União Soviética teve de carregar um mundo de bebês, cuidando deles até que tivessem força o bastante para andar com as prórias pernas, o que era uma tarefa ainda mais difícil devido ao antagonismo dos EUA e das potências européias - que sempre buscavam sabotar os movimentos progressitas de esquerda por todo o mundo, incluindo o próprio regime soviético. Não há dúvidas de que o maior poderio econômico estava do lado dos EUA - eles não sofreram com a destruição da guerra, ainda enriqueceram mais com ela. Até porque ele tinha o apoio de outras potências como a Inglaterra, a França, a Alemanha Ocidental, etc. Os EUA não precisavam ergueer bebês até a maturidade, apenas dar a mão a adultos fortes que haviam tropeçado em seus caminhos. Neste sentido, a URSS começou uma corrida estando a uns dois quilômetros atrás do competidor e tendo que tirar a distância desesperadamente o mais rápido possível.

Com isto não estou sugerindo que os fatores externos foram decisivos para a queda do regime soviético - já que há motivos internos bastante fortes também -, estou apenas tentando demonstrar o quanto a situação soviética era desfavorável no início da Guerra Fria e no seu decorrer. Poucas pessoas se atentam a este fato quando iniciam seus ataques ao socialismo, chamando-o de insustentável, utópico, entre outras coisas. Uma coisa é você defender o status quo, já plenamente desenvolvido durante alguns bons séculos de experiência, outra totalmente diferente é lutar por uma coisa nova, sem todo um aparato para mantê-la e protegê-la. Enfrentar todo um mundo contra você não é tarefa fácil para ninguém e, infelizmente, o socialismo soviético não conseguiu se sustentar frente a tamanha pressão.

Espero ter contribuído para uma reflexão melhor e mais profunda acerca da Guerra Fria e da queda da União Soviética. Na próxima parte procurarei abordar uma questão interna: o surgimento da segunda economia e o investimento de altos membros do Partido neste mercado clandestino.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O perigo do nacional-bolchevismo


Nascido das cinzas de uma União Soviética humilhada pelo revisionismo, o nacional-bolchevismo surge como reflexo das mais reacionárias forças que habitavam o finado Partido Comunista da União Soviética. Fundado no princípio do "Eurasianismo" como opositor do "Atlantismo", defende o legado do Império Romano, do Russo, do Alemão e do Austro-Húngaro. Isto é, para o Nacional-Bolchevismo o que vale é o autoritarismo, a hierarquia, o comunitarismo forçado e o imperialismo. E nesta sopa ideológica bizarra, coloca Lênin, Mussolini, Hitler, Júlio César, Pedro o Grande, Stálin e sei lá quem mais, no mesmo barco. Os nacional-bolchevistas defendem uma Rússia forte, que domine o continente de Leste a Oeste, portanto, defendem um Império Euroasiático.

O bolchevismo no nome é obviamente utilizado de maneira semelhante ao socialismo do partido nazista alemão. É uma forma de atrair jovens e pessoas em geral que tenham tendências socialistas, mas que sejam inexperientes politicamente. É uma armadilha para "rebeldes" em geral. Já que Lênin, Dzherzinsky, Stálin, Molotov, Kirov, entre tantos outros influentes bolcheviques, provavelmente vomitariam após ler alguma das idiotices proferidas por Aleksandr Dugin - um dos ideólogos fundadores do Nacional-Bolchevismo.

Vale ressaltar que o centro do bolchevismo eram as massas e as assembléias populares (que, em russo, chamavam-se "soviet"). O bolchevismo foi um movimento proletário que visava varrer o mundo do autoritarismo, da exploração do homem pelo homem e de qualquer forma de imperialismo. A degenerescência do então Partido Comunista de Toda a União Bolchevique acabou por formar algo que assemelha-se ao ideal nacional-bolchevista, porém a linha partidária não era mais bolchevique e, sim, revisionista. Homens como Brezhnev vislumbravam a Rússia como a maior potência do mundo, subjugando a todos com seu poderio militar. Seu governo que costumo chamar de "nacional-imperialista" visava a supremacia soviética no mundo, deixando as aspirações populares de lado. Ele era de uma ala revisionista conservadora e anti-liberal, porém anti-comunista também, talvez um pouco influenciada pelas teses euroasiáticas do início do século XX.

Além disso, o Nacional-Bolchevismo repudia o socialismo por ser filho do Iluminismo, assim como o liberalismo. Então o que tem de bolchevique nisso? Nada. Era melhor o nome ser Partido Fascista Russo, mais aí ele seria logo ridicularizado. Ao se esconder por trás do bolchevismo, esta ideologia monstruosa se firma como algo justo, utilizando símbolos populares como a foice e o martelo para enganar os leigos que simpatizam com a luta de Lênin e da União Soviética. Já vi vários ditos socialistas apoiando essa aberração política, sem nem saber que por trás daquela bandeira vermelha está o fantasma da antítese do comunismo, o nacional-socialismo de Hitler e o fascismo de Mussolini.


Portanto, comunistas e socialistas de todo o mundo, fiquem alertas. Não se deixem levar pelas retóricas e símbolos esquerdistas do Nacional-Bolchevismo. Esta ideologia, na verdade, é a união de todas as porcarias as quais os comunistas sempre lutaram contra. É o renascimento do espasmo político burguês do século passado, é o filhote revoltado do liberalismo, é o capitalismo em sua forma mais agressiva e amedrontada, é a escória do pensamento humano.